Ken Follett é um desses escritores cujo nome já apareceu em nossas vidas, mesmo que não tenhamos lido nenhuma de suas obras. Britânico, vendeu mais de 160 milhões de livros e se consolidou entre o suspense e a ficção histórica. Nessa caminhada, Os Pilares da Terra, de 1989, se firmou como um dos grandes livros da carreira, dando início à famosa série Kingsbridge e cativando leitores pelo planeta.
A proposta do livro é caracteristicamente histórica: entrelaçar eventos reais com elementos fictícios, recriando um período histórico de maneira cativante. Aqui, no século XII inglês, o prior Philip vive a história e sonha em construir uma catedral em Kingsbridge. O grande empecilho é que o projeto encontra oposição de diversas fontes, principalmente do conde Percy Hamleigh, e se passa em meio a conflitos de poder, crença e a luta pela vida. O contexto histórico é extremamente rico: a Conquista Normanda, a centralização do poder da monarquia, a edificação de castelos e catedrais, e a guerra civil chamada de A Anarquia. Não é apenas um cenário, mas sim uma força que impacta a vida dos personagens.
Minha conexão com o livro foi intrigante. Quando tentei ler pela primeira vez, desisti. Somente em 2025, com um pouco mais de disciplina, consegui encarar a situação de forma mais séria — e posso dizer que foi gratificante. Desde os primeiros capítulos, é evidente como Follett é habilidoso em criar uma narrativa épica, repleta de tramas secundárias, e como seus personagens são complexos e contraditórios. O que mais me impressionou foi essa ambiguidade: frequentemente, as ações deles provocam reflexões sobre moralidade e sociedade, conferindo ao livro uma profundidade que transcende a mera ficção.
Em quase mil páginas, o autor entrelaça temas recorrentes, como poder e política, religião e fé, amor e relacionamentos, sobrevivência e resistência, justiça e moralidade. É isso que faz a leitura transcender a construção de uma catedral; no cerne, é um espelho da condição humana em um período conturbado.
Embora seja extenso, o livro não é arrastado. A divisão em três partes contribui para o ritmo, e a narrativa abrange mais de cinquenta anos, conferindo uma dimensão épica à trama. A catedral é o elemento central, mas o que realmente cativa são os personagens, que alternam entre os papéis principais ao longo da história, como peças de um jogo de xadrez. Essa variação mantém o engajamento e cria a impressão de que estamos acompanhando uma sociedade em constante movimento.
É evidente que o tamanho pode causar medo. Encarar quase mil páginas não é tarefa fácil, e muitas pessoas podem optar por deixar o livro de lado por esse motivo. No entanto, uma vez ultrapassado esse obstáculo, a recompensa é significativa: uma narrativa cativante que harmoniza ficção e elementos históricos, além de nos levar a refletir sobre questões ainda pertinentes.
Recomendo a leitura de Os Pilares da Terra para aqueles que apreciam histórias profundas, repletas de personagens bem desenvolvidos e que abordam importantes questões universais. Além de ser um romance sobre a edificação de uma catedral, trata-se de uma obra sobre a formação de uma sociedade, com todas as suas contradições, aspirações e esperanças. É, de fato, desafiador, mas também é uma experiência que proporciona oportunidades para reflexões profundas e vale a pena em cada página.

★★★★
Os Pilares da Terra
Autor: Ken Follett
Editora: Rocco
Tradução: Paulo de Azevedo
Páginas: 944
Lançamento: 2012
Publicação Original: The Pillars of the Earth (1989)
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