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MAO Vol. 1, de Rumiko Takahashi

Entre a nostalgia de InuYasha e o desafio de criar algo novo

Publicado desde 2019 no Japão e apenas em 2021 chegou ao Brasil, MAO é a obra mais recente da mangaká Rumiko Takahashi. E provavelmente você já ouviu falar de muitas obras de Rumiko, ela simplesmente é a criadora de Ranma ½ (1987-1996) e InuYasha (1996-2008), que tiveram uma venda expressiva ao redor do mundo. Apenas no Japão, os mangás venderam mais de 98 milhões de cópias, ou seja, um verdadeiro sucesso. No Brasil, as duas obras são extremamente conhecidas e com uma qualidade reconhecida por todos os fãs de mangás, sejam amantes das duas obras ou não.

MAO, sendo sua obra mais recente em publicação, que começou a ser lançada no Brasil em 2021 pela Editora Panini, apresenta ao público uma premissa muito utilizada pela mangaká e que popularizou principalmente o mangá InuYasha. A primeira edição do mangá é um mix de tudo que Rumiko Takahashi estabeleceu como criadora de histórias desde 1978, quando publicou o seu primeiro mangá Urusei Yatsura. E quando se trata de expectativa, MAO pode acabar sendo penalizado pelo próprio legado de outros personagens famosos criados pela mangaká, fazendo com que na leitura do primeiro volume você chegue à conclusão nas primeiras páginas de que essa história já foi contada.

Nanoka Kiba é a protagonista de MAO, ao lado do enigmático Mao. Ao passar por um acontecimento traumático que culminou na morte de seus pais, é um mistério a jovem ter sido encontrada viva. Engana-se quem pensa que o mangá não tenha uma dose sensata de suspense, já que ao mesmo tempo em que o roteiro se preocupa em estabelecer certa conexão com o leitor, entregando apenas as informações necessárias neste primeiro volume, as coincidências com outras histórias criadas pela mangaká acabam tornando-o previsível. A protagonista mora com seu avô e é uma colegial.

Os boatos de que vozes estão sendo ouvidas numa galeria desativada e que por coincidência é próxima ao local onde Nanoka sofreu o acidente que culminou na morte dos seus pais são o estopim para que a jovem decida ir até o local com algumas amigas para entender o que está acontecendo. Ao chegar lá, descobre um portal que a transporta para o período Taisho. Como em passe de mágica, Nanoka se vê envolvida numa trama intrigante, onde uma cidade com aspectos pouco desenvolvidos e pessoas transparentes são os pontos-chave que a intrigam.

Sem nenhum pudor, Rumiko Takahashi apresenta MAO como um InuYasha 2.0 no final das contas. A trama do mangá é muito semelhante a um de seus maiores sucessos e isso pode ser um problema para alguns, mas também uma porta de entrada para novos leitores da obra da mangaká. O primeiro volume consiste numa jornada de autodescoberta de Nanoka e Mao sobre seus passados, enfrentando alguns monstros e vilões que carregam certa dramaticidade, mas que no final das contas entregam uma sensação de mais do mesmo, principalmente para quem já conhece a obra de Takahashi.

MAO não é um completo desperdício. É importante dizer que os personagens funcionam entre si, a chegada de Nanoka nesse universo desconhecido é muito bem executada pela mangaká, os vilões e os personagens secundários são bem desenvolvidos. Cabe lembrar que Mao e Nanoka criam uma relação interessante e que tem grande potencial de crescimento nos futuros volumes. Caso não aconteça, a obra precisa se distanciar do título de InuYasha 2.0 ou se estabelecer como parte do universo, já que utiliza inclusive nomes que ficaram conhecidos em InuYasha, como os youkais. De fato, MAO #01 tem uma história concisa e autocontida, que funciona como primeiro impacto ao leitor.

É muito difícil não problematizar o motivo de Rumiko Takahashi transformar uma história com grande potencial em seu InuYasha 2.0. Por um ponto de vista crítico, isso canibaliza sua própria franquia, até que exista uma explicação sensata e que principalmente convença quem se propõe a conhecer a nova obra da mangaká. Retirando esse quase demérito de cópia ou inspiração, MAO pode acabar sendo taxado por um título que não é merecedor, uma vez que seu potencial é grande, com personagens cativantes que conseguem entregar ao leitor uma boa imersão na trama. Sem contar que a arte da mangaká é muito boa e anda de mãos dadas com seu roteiro, mas novamente esbarramos na sensação de estar diante de mais do mesmo.

★★★
MAO Vol. 1
Roteiro: Rumiko Takahashi
Arte: Rumiko Takahashi
Editora: Panini
Páginas: 192
Lançamento: 2021
Publicação Original: MAO マオ (2019), Shogakukan
Onde encontrar: Amazon | Editora

Escrito por
Gabrihel Campos

Depois que me perdi entre páginas e histórias, não consegui mais largar os livros. Sou fã de Star Wars, Star Trek e Doctor Who — e se você curte uma boa leitura e universos cheios de aventura, já estamos no caminho certo. Sou Gabrihel, criador do Recomendo Ler, onde compartilho resenhas sinceras e dicas de livros que me marcaram. Não faço cerimônia: aqui todo gênero é bem-vindo, só não peço para gostar de spoilers, por favor.

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