Publicado no Brasil desde 2015 pela Editora JBC, o mangá Ultraman é um dos proeminentes do gênero tokusatsu. Muito conhecido no Brasil, principalmente por suas exibições na TV entre os anos 80 e 90, a chegada do mangá em sua versão nacional trouxe novas possibilidades para um novo público. A renovação das produções tokusatsu ao longo dos anos acabou atraindo novos leitores, ainda que a obra possua um público fiel por todo o país. O gênero, pouco explorado em terras nacionais, vem ganhando cada vez mais fôlego com a aposta não apenas em Ultraman, publicado quase simultaneamente com o Japão, mas também em novos títulos em suas versões nacionais: Kamen Rider (NewPOP), Kamen Rider Black (NewPOP), Kamen Rider Kuuga (JBC) e Spectreman (Pipoca & Nanquim).
Com roteiro de Shimizu Eiichi e arte de Shimoguchi Tomohiro, Ultraman Vol. 1 apresenta uma continuação ao universo mostrado nas diversas produções japonesas ao longo de mais de 50 anos. A trama começa estabelecendo que o Ultraman se tornou uma grande lenda após diversos anos protegendo a Terra. Não se sabe ao certo o que aconteceu com o personagem, que se mantém distante da ação. Sem revelar diretamente o paradeiro do herói, somos apresentados a Shin Hayata, então Ministro da Defesa do Japão. Nas primeiras páginas é possível estabelecer algumas conexões com Hayata. O personagem é construído com características que o tornam próximo do leitor. Apesar de sua responsabilidade como Ministro, sua forma de lidar com as pessoas ao redor se destaca rapidamente.
O mangá, ainda que não se proponha a dar continuidade direta à franquia, acaba se estabelecendo ao apresentar de forma inesperada a conexão de Shin Hayata com o herói, que se encontra fora de cena. Essa habilidade de Shimizu Eiichi é consistente e agrega ao desenvolvimento do primeiro volume. O ponto de partida da trama segue linearmente os acontecimentos que culminaram no desaparecimento do Ultraman. A primeira pista vem com a revelação da presença do filho do Ministro, Shinjiro. As primeiras cenas, que se passam no “Museu do Gigante de Luz”, mostram que um incidente com Shinjiro é o ponto inicial para o desenvolvimento da história.

A identidade do Ultraman é abordada em poucos momentos, mas a revelação é concisa e traz nuances para as próximas cenas. Hayata perdeu a memória durante alguns anos e relembra que na verdade ele era o Ultraman. Durante muito tempo esteve cercado de pessoas que sabiam de seu passado, mas não podiam revelar o que de fato havia acontecido. Importante lembrar que, apesar da trama ser estruturada nessa nova jornada de herói, outros temas relevantes são tratados. A relação entre pai e filho fica clara com o avançar da narrativa, especialmente após um salto temporal de 12 anos. Com pouco mais de 25% da trama apresentada, esse salto contribui significativamente para a regularidade da história.
Shinjiro, agora adolescente, precisa aprender a lidar com questões comuns da sua idade. É um estudante tímido que não sabe como controlar os poderes que possui. Seu potencial em combate acaba se tornando um perigo para as pessoas próximas, e ele tem consciência disso. Ao ser desafiado por um amigo, mesmo sem querer, aplica parte de sua força. Como esse segredo não havia sido compartilhado com sua família, os questionamentos éticos surgem rapidamente na trama. Esse é o pontapé inicial para a construção de sua jornada como herói.
As consequências das ações de Shinjiro são bem estruturadas pelo roteiro. Entre as diversas apresentações do primeiro volume, a chegada do vilão Bemular é o fechamento esperado. O antagonista, que já havia tido interações relacionadas à busca pelo Ultraman, ganha um desfecho bem construído. A luta que conecta pai e filho, revelando alguns segredos, acontece em meio a quadros de ação dinâmicos. Muitas dessas cenas seguem sem diálogos, o que contribui para que o leitor se concentre na arte de Shimoguchi Tomohiro.
Ultraman Vol. 1 é sem dúvida uma das melhores histórias tokusatsu em publicação. Com grande potencial para fisgar o leitor do início ao fim, o roteiro de Eiichi Shimizu, que aposta em uma atualização da mitologia da franquia, é recompensado pela arte de Tomohiro Shimoguchi, que conduz com maestria a responsabilidade de dar sentido ao mangá.
★★★★
Ultraman Vol. 1
Roteiro: Eiichi Shimizu
Arte: Tomohiro Shimoguchi
Editora: JBC
Páginas: 226
Lançamento: 2015
Publicação Original: ウルトラマン (2012), Shogakukan
Onde encontrar: Amazon | Editora
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