terça-feira , 19 maio 2026
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A Metamorfose, de Franz Kafka

Uma preocupação minha ao falar sobre o livro mais conhecido de Franz Kafka era justamente definir quais pontos relevantes eu poderia trazer a partir de uma releitura. Acredito que, com A Metamorfose (Die Verwandlung, 1915), assim como com diversos livros que acabaram se tornando tão grandes quanto seus autores perante os leitores, o desafio seja convidar tanto quem nunca leu Kafka quanto quem não lê com frequência a encarar uma história com tantas camadas.

Essa foi a primeira releitura desse clássico da literatura mundial e, certamente, eu vou reler outras vezes ao longo da vida — ainda mais por ser um dos meus livros favoritos. Eu indicaria essa obra para todas as pessoas. Ainda que eu não a considere uma leitura fácil, as principais mensagens, presentes nas entrelinhas e nas camadas que Kafka, como autor, estabeleceu como essenciais para criar conexão com o leitor, acredito que possam ser facilmente percebidas com uma leitura atenta, sem tanta pressão.

Eu acho que Kafka é aquele tipo de autor que conversa com muitos públicos e, apesar de seus livros apresentarem um certo nível de dificuldade quando se decide ir mais a fundo na narrativa, gostaria de reforçar que é um tipo de leitura que acompanha o leitor ao longo da vida. Acho que, com essa introdução, é impossível não perceber que eu gosto demais de A Metamorfose.

A minha percepção sobre A Metamorfose é que seu significado, enquanto livro importantíssimo da literatura mundial, cresceu muito com essa releitura. Kafka é um excelente contador de histórias e, apesar da brevidade do texto apresentado neste livro, é quase impossível não fazer algumas conexões com o nosso dia a dia ao conhecermos Gregor Samsa.

Falando sobre Gregor Samsa, o protagonista de A Metamorfose, ele é um caixeiro-viajante que abandona suas vontades e desejos para sustentar a família e pagar as dívidas dos pais. Para quem não sabe, o caixeiro-viajante é o mercador ambulante que vende produtos fora das regiões onde eles são produzidos, percorrendo ruas e estradas para oferecer principalmente manufaturados.

Numa certa manhã, Gregor acorda metamorfoseado em um inseto monstruoso. Kafka descreve esse inseto como algo parecido com uma barata gigante. Pelo fato de ser descrito assim, existe uma discussão sobre o tipo exato de inseto em que o personagem se transforma, já que muitas pessoas interpretam de formas diferentes. Eu, particularmente, sempre entendi que Gregor se transformava em uma barata.

O livro aborda uma série de questões cotidianas, entre elas, por exemplo, a ideia de que o ser humano, mesmo diante de uma transformação que poderia limitar sua vida — como foi o caso para Gregor —, ainda estaria preocupado com suas obrigações de trabalho e não com o seu estado atual. Isso abre espaço para uma série de questionamentos sobre nosso engajamento com questões externas e, muitas vezes, pouco com as internas.

A Metamorfose é um livro muito à frente do seu tempo — e não apenas pelos temas que se propõe a tratar. O mundo, em 1912, enfrentava diversas questões que marcariam as próximas gerações. Mesmo sendo publicado em 1915, é possível perceber um certo reflexo de acontecimentos históricos do ano em que foi escrito.

As entrelinhas nos livros de Kafka têm semelhança com sua obra de forma geral. Em A Metamorfose, mais especificamente, o autor fala sobre os obstáculos do homem contemporâneo — que é diferente, mas precisa parecer igual a todos —, a transformação constante e a falta de controle que o indivíduo tem sobre a própria vida. Suas obras possuem uma personalidade única, associadas a diversas críticas sociais e, indo um pouco além, tratando também do existencialismo — corrente filosófica que valoriza a liberdade individual, a escolha e a responsabilidade.

O que mais me chama atenção no livro é que Kafka vai direto ao ponto, até mesmo na concepção da narrativa. A Metamorfose é, sem dúvidas, um livro que pretendo revisitar muitas vezes ao longo da vida, porque tenho certeza de que, a cada releitura, a experiência será diferente e trará ainda mais reflexões.

★★★★★
A Metamorfose
Autor: Franz Kafka
Editora: Antofágica
Tradução: Petê Rissatti
Páginas: 232
Lançamento: 2020
Publicação Original: Die Verwandlung (1915)

Escrito por
Gabrihel Campos

Depois que me perdi entre páginas e histórias, não consegui mais largar os livros.

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