O romance que deu origem a uma das principais franquias do Japão, Crônicas das Guerras de Lodoss, de Ryo Mizuno, inicialmente foi pensado para ser lançado como um RPG de mesa de temática medieval. Os planos mudaram, e a franquia ganhou sete livros publicados com êxito em diversas localidades do mundo. O primeiro, A Bruxa Cinzenta, é, acima de tudo, uma porta de entrada eficiente para um novo universo. Repleto de detalhes, exige atenção do leitor.
Um dos pontos fortes, que merece ser mencionado antes do início da leitura, é justamente a construção dos cenários e o estabelecimento de cada personagem como parte de uma trama que começa a se desenvolver já no primeiro livro.
Em A Bruxa Cinzenta, os leitores são apresentados a Lodoss, uma ilha amaldiçoada que ainda carrega as marcas de uma grande guerra contra poderosos demônios. O conflito durou o suficiente para deixar cicatrizes nos habitantes da ilha. Com o seu fim, alguns personagens conquistaram, por meio de suas ações, a liderança de Lodoss. É importante destacar que já se passaram aproximadamente trinta anos desde que a fatídica batalha chegou ao fim. Nesse cenário, abre-se espaço para o surgimento de vilões ou oportunistas que, sem mérito, buscam se colocar à frente da população com objetivos escusos.

Diante desse contexto de intrigas, o jovem Parn se destaca. Em busca de aventuras e respostas, encontra em Lodoss e em toda a sua mitologia uma grande oportunidade. Não apenas as lendas em torno da ilha lhe chamam a atenção, como também a iminência de uma nova guerra. Em sua jornada, Parn passa a interagir com personagens relevantes: a elfa Deedlit, o mago Slayn, o sacerdote Etoh, o anão Ghin, sua amiga Neese e o ladino Woodchuck. A interação do grupo dá continuidade às aventuras, tendo como pano de fundo a invasão da ilha de Lodoss pelas forças do Império de Marmo, lideradas pelo Imperador Beld.
A partir de então, surgem os antagonistas da narrativa. Beld, um imperador imponente que, desde o fim da guerra contra os demônios, ampliou seus objetivos de se manter no trono. Ele conta com a misteriosa Karla, uma feiticeira cujos anseios diferem completamente dos de seus aliados diretos. Karla é uma das personagens mais intrigantes de A Bruxa Cinzenta. Sua concepção é construída na contramão dos demais, o que confere suspense às suas aparições, especialmente a partir da metade do livro.
Crônicas das Guerras de Lodoss: A Bruxa Cinzenta, embora não entregue ao leitor uma saga monumental dentro do gênero, reúne de forma eficiente e equilibrada o desenvolvimento de seus personagens. A ideia original de criar um RPG confere ao livro méritos narrativos, permitindo múltiplos núcleos de personagens. O autor sabe dar a cada um o seu espaço, e essa alternância de foco narrativo ocorre de maneira natural ao longo dos capítulos.
Mesmo lançado há mais de trinta anos, o livro se encaixa perfeitamente no gênero fantasia heroica moderna. A Bruxa Cinzenta não deve ser considerada uma obra datada. A criação de Ryo Mizuno é recomendada tanto para leitores assíduos do gênero quanto para aqueles que desejam descobrir boas histórias.
★★★
Crônicas das Guerras de Lodoss: A Bruxa Cinzenta
Autor: Ryo Mizuno
Editora: NewPOP
Tradução: Suellen Sato Ide
Páginas: 304
Lançamento: 2021
Publicação Original: ロードス島戦記 灰色の魔女 – Rōdosu-tō Senki: Haiiro no Majo (1988)
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