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Blade Runner 2019: Los Angeles, de Michael Green, Mike Johnson e Andres Guinaldo

Entre o noir e a distopia: Blade Runner 2019 expande o legado imortalizado por Ridley Scott

Blade Runner: O Caçador de Androides (1982) se consolidou como um dos grandes clássicos do cinema. É difícil encontrar alguém que nunca tenha assistido ou ao menos ouvido falar dessa obra-prima. Inspirado no livro Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? de Philip K. Dick, o longa conquistou o público de tal forma que acabou se tornando mais conhecido que o próprio romance. No Brasil, onde o acesso aos livros sempre foi limitado para grande parte da população, o filme de Ridley Scott acabou imortalizando a obra de Dick. Lançado em 1982, trouxe uma visão distópica sobre a evolução da humanidade que permanece atual até hoje.

Com o desejo de expandir esse universo, a Titan Comics lançou um quadrinho derivado do filme, em que os acontecimentos coexistem sem necessariamente depender um do outro. É nesse contexto que surge Blade Runner 2019: Los Angeles, primeira publicação que mergulha novamente no mundo criado por Philip K. Dick e eternizado por Ridley Scott. Com roteiro de Michael Green e Mike Johnson e arte de Andres Guinaldo, o quadrinho entrega uma atmosfera noir que dialoga perfeitamente com o tom do filme original.

A narrativa apresenta Aahna “Ash” Ashina, uma investigadora veterana da DPLA (Departamento de Polícia de Los Angeles). Carregando um segredo não revelado ao leitor, Ash é retratada como uma profissional competente e implacável, sem se preocupar em conquistar empatia de quem a acompanha. Sua postura dura e estilo badass a tornam uma protagonista intrigante, cuja eficiência a coloca no centro de uma investigação que parece ter sido feita sob medida para ela.

O roteiro constrói o mistério em torno da personagem de forma gradual, página a página, enquanto a arte de Guinaldo reforça a fidelidade ao universo de Blade Runner. Ainda que a trama explore transgressões e fragilidades de Ash, o quadrinho mantém o equilíbrio entre ação intensa e momentos de introspecção. Essa abordagem, embora arriscada, acrescenta profundidade à história, mesmo que em alguns trechos o ritmo oscile e revele altos e baixos na leitura.

A missão de Ash começa quando um bilionário a contrata para localizar sua esposa e filha, aparentemente sequestradas por replicantes renegados. A investigação, no entanto, rapidamente mostra que nada é tão simples quanto parece. A Corporação Tyrell surge discretamente como antagonista, trazendo à tona o projeto Nexus e seus seres artificiais idênticos aos humanos. É a partir desse ponto que a trama se intensifica, revelando segredos e entregando algumas das melhores cenas de ação do quadrinho.

A combinação entre roteiro e arte resulta em uma obra que honra o cânone de Blade Runner. Diferente do filme de Ridley Scott, o quadrinho adota um ritmo mais acelerado e se concentra na ação, deixando de lado as reflexões filosóficas que marcaram a franquia. Enquanto o longa se tornou um cult sci-fi ao longo das gerações, Blade Runner 2019: Los Angeles aposta em uma narrativa mais direta, voltada para o entretenimento, sem a mesma responsabilidade de dialogar com o público em nível existencial.

No fim, o quadrinho não apenas expande o universo de Blade Runner, mas também oferece uma experiência envolvente para quem deseja explorar novas histórias nesse cenário distópico.

★★★
Blade Runner 2019: Los Angeles
Roteiro: Michael Green e Mike Johnson
Arte: Andres Guinaldo
Editora: Excelsior
Páginas: 112
Lançamento: 2020
Publicação Original: Blade Runner 2019: Los Angeles (2019), Titan Comics
Onde encontrar: Amazon | Editora

Escrito por
Gabrihel Campos

Depois que me perdi entre páginas e histórias, não consegui mais largar os livros.

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