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Contato, de Carl Sagan

É muito difícil não referenciar Carl Sagan, autor de Contato e de muitos outros livros, como um dos responsáveis por uma ressignificação da ficção científica nos anos 80 e como suas obras se tornaram relevantes dentro de um cenário que sempre foi altamente aclamado por grandes nomes da literatura. Contato, publicado originalmente em 1985 e pensado inicialmente como um roteiro de filme — que posteriormente, em 1997, foi produzido —, mostrou as fragilidades que envolvem a interação da Terra com a vida além do nosso planeta.

O papel que a história apresentada em Contato, por Carl Sagan, desempenha vai muito além do romance de ficção científica cercado de achismos. O autor explora temas importantes, muito além da ideia de exploração de outros planetas, questionando quando, de fato, se chegará à conclusão de que existe — ou não — vida inteligente fora dos domínios da Terra. Para qualquer leitor de ficção científica, a obra de Sagan tem um valor estimado, tornando-se uma das referências e figurando sempre entre os livros mais indicados e amados do gênero.

Não podemos negar que toda a complexidade que envolve a concepção de uma trama como Contato é um dos pontos altos que conectam leitor e obra. Carl Sagan transita muito bem entre romancear uma história com todos os elementos reais de pesquisas que buscam se aproximar de uma resposta exata e questionar se os habitantes da Terra poderão, algum dia, confirmar com 100% de certeza que essas interações não se resumem aos livros de ficção. O que se sabe é que, de fato, ainda não estamos nesse caminho.

Contato, de Carl Sagan, acompanha a jornada da Dr.ª Eleanor Ann Arroway — ou simplesmente Ellie, em alguns momentos. Então diretora do Projeto Argus, localizado no Novo México, Ellie é responsável por estudos com radiotelescópios que buscam identificar mensagens e sinais recebidos do espaço. Dividindo a trama do livro em partes, a jornada da personagem, bem como a trama principal de Contato, segue uma linearidade exemplar. Ao receber uma mensagem do sistema estelar Vega, inicia-se uma verdadeira corrida para desvendar os objetivos que cercam o contato com os veganos (habitantes de Vega), tornando-se uma comoção mundial que envolveria as principais potências do mundo e colocaria a Terra diante de algo desconhecido.

A mensagem recebida — que gera uma série de discussões ideológicas e religiosas — é a famosa transmissão do discurso de Hitler durante as Olimpíadas de 1936. Para um primeiro contato com uma nova civilização, a escolha de um discurso de um dos maiores ditadores da história da Terra mostra o quão peculiar e, principalmente, perigoso esse caminho de descoberta poderia se revelar. Do ponto de vista dos habitantes de Vega, qual seria a real imagem formada sobre a Terra tendo esse ponto de partida nas interações?

O livro estrutura toda a sua trama em torno dessas suposições e, principalmente, da conexão que todos os países precisam realizar, num primeiro momento, para desvendar a mensagem e, posteriormente, para descobrir que teriam de, unidos, construir uma máquina que levaria algumas pessoas para esse primeiro contato com os habitantes de Vega. Essa subtrama acaba fazendo com que Contato caminhe por muitas ideologias, sendo as políticas e religiosas as mais interessantes — até mais do que a própria ciência.

O fato de estruturar sua trama em ideologias e questionamentos relevantes pode causar certa confusão no leitor, que pode se perguntar: “É uma obra de ficção científica? É uma obra sobre política? É uma obra sobre ciência x religião?”. A resposta para todas essas perguntas seria um grande “sim”. Contato transita muito bem por todas essas discussões e vence todas elas. Ellie, a protagonista do livro, se desenvolve à medida que todas essas tramas encontram uma justificativa plausível dada por Carl Sagan.

No final das contas, Carl Sagan faz de Contato uma história escatológica sobre um possível fim do mundo e como o olhar da ciência é importante — mesmo com visões políticas e religiosas sempre observando as consequências. O autor não reescreve a ficção científica, mas oferece ao leitor novos elementos e, principalmente, discussões que se mostram atuais, mesmo depois de mais de 30 anos do seu lançamento original. As camadas exploradas pelos personagens e pela ambientação da trama, assim como todas as reflexões que podem surgir depois de sua leitura, são o que tornam Contato um dos melhores livros do gênero de ficção científica.

★★★★★
Contato
Autor: Carl Sagan
Editora: Companhia de Bolso
Tradução: Donaldson M. Garschagen
Páginas: 440
Lançamento: 2008
Publicação Original: Contact (1985)

Escrito por
Gabrihel Campos

Depois que me perdi entre páginas e histórias, não consegui mais largar os livros.

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