Em O Último Homem, a sinopse já chama atenção: a era dos caubóis está chegando ao fim. Em breve, os trens transportarão o gado para os matadouros de Chicago. Russell decide pendurar as esporas e tornar-se fazendeiro em Montana, cuidando do jovem Bennett. No caminho, eles param em Sundance, onde Russell busca vingança.
Jérôme Félix é responsável pelos roteiros, sendo este apenas um de seus grandes trabalhos. Ele já participou de adaptações em quadrinhos das histórias de Arsène Lupin e outras obras francesas. Paul Gastine, responsável pela arte, já trabalhou com Félix em A Herança do Diabo. Ambos são franceses, mas este é meu primeiro contato com uma obra dessa equipe criativa.
O quadrinho chama atenção pela capa, que funciona como uma porta de entrada carregada de significados. Os desenhos de Paul Gastine são ricos em detalhes, e o título, embora cause certa previsibilidade sobre a história, é muito convincente.
Não creio que Félix e Gastine reinventem o faroeste ou apresentem algo totalmente novo, mas isso não é o grande atrativo. Com 80 páginas, o roteiro é conciso, mas não apressado. A narrativa principal surpreende, assim como as entrelinhas do quadrinho.
Apesar de não ser um grande especialista em faroeste, posso dizer que o quadrinho bebe de várias fontes, especialmente de obras francesas consagradas no gênero, como Bouncer. A história explora a mudança cultural enfrentada por Russell: suas prioridades como cowboy se transformam, impactadas pela chegada das ferrovias. O plot principal se desenvolve a partir dessas mudanças, criando uma narrativa envolvente.
Além da trama principal, três personagens se destacam: Russell, Kirby e Bennett. Eles conectam diretamente o enredo com as histórias secundárias, que enriquecem o universo do quadrinho. A chegada da estrada de ferro à cidade pacata, junto a um acontecimento trágico envolvendo Bennett, desencadeia a busca de Russell por vingança, com o objetivo de alcançar uma recompensa moral.
A história aborda, de forma clara, os elementos clássicos do faroeste, tornando-se uma excelente porta de entrada para quem nunca leu esse tipo de narrativa. Nas entrelinhas, o quadrinho também questiona até onde autoridades locais podem chegar e como a corrupção pode surgir quando interesses pessoais estão em jogo.
O Último Homem equilibra ação, vingança e reflexão moral, oferecendo uma leitura envolvente. Com uma arte detalhista e roteiro conciso, o quadrinho é indicado tanto para iniciantes quanto para fãs do gênero. Uma obra que surpreende pela profundidade e simplicidade em igual medida.
★★★★
O Último Homem
Roteiro: Jérôme Félix
Arte: Paul Gastine
Editora: Qs Comics
Tradução: Alessandra Bonrruquer
Páginas: 80
Lançamento: 2024
Publicação Original: Jusqu’au dernier (2019)




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